Abanda desenhada desdobrando-se enquanto arte capaz de volume, dinamismo, densidade, dimensões que se vão relevando, através de múltiplos protocolos de leitura. Coordenando a narrativa entre as suas imagens, multiplicando as suas articulações, ou mesmo volatizando a intriga em composições visuais fascinantes.
A banda desenhada portuguesa contemporânea é constituída por autores idiossincráticos, menos dedicados à emergência de “escolas” do que de fulgurantes expressividades e experimentalismos. Da incrível variedade actual em termos de agentes, modos de circulação, edição e leitores, a Flexágono revela oito autores que, de maneiras e em áreas bem diversas, têm acentuado as suas individualidades. De autores explorando mercados de personagens internacionalmente famosas com versões de grande estilização a práticas experimentalistas que colocam em causa os limites da legibilidade, de construções formais pacientes remetendo ao limite do humano a interrogações profundas e incómodas da psicologia humana, obrigando a enfrentar questões prementes na esfera do social e do político na sua mais alargada acepção, estes autores coligem um panorama variado e vívido desta arte.
Considerada como uma arte do livro, a publicação, leitura e produção da banda desenhada vive hoje numa mais larga paisagem mediática. Visitem-se as livrarias, cada vez mais bem servidas de belíssimos volumes, mas procure-se também a pequena edição ou esteja-se atento às redes sociais, “seguindo” os artistas.
A Fléxagono é uma estrutura de captura destes casos, atomizando e multiplicando a atenção, esperando que o visitante possa apreender a variedade e dinamismo na cena portuguesa, e a empregue como ponto de partida a uma busca ainda maior.
FOLIO Mais, o local de todos os encontros.

Pedro Moura
Curadoria FOLIO BD