alvaro

Se, um viajante, num dia de outono

Rute Sousa Blog

Há um parêntesis no meio deste texto que é a única coisa que interessa.

O Folio é entender cabeças o que são. Mabunda.Lewis Carrol.Tim Burton. Maria João.

Só era prosa porque não tinha ainda acontecido. E não podia ser verso. Nem avesso. Nem reverso.

(Não consegui pensar em mais nada quando te vi. Deixei-me desejo abaixo até ao colo chapeleira louco na esperança que a rainha me devolvesse ao Tenesse.

– Dizes-me as horas, Peter Pan?

Disseste-me à tarde que não me davas ideias mas subiste comigo para ver o céu do terraço. Eras graça. Teia. Tela. Feel me. Drink me. Eat me.

Amei o momento de trocar contigo aquele texto. Afinal toda literatura do mundo pode ser apenas uma metáfora inútil. Das que ameaçam Titans no intervalo do alinhamento nas estrelas. Lua nova. Lua cheia. Meu quarto.

Deixei-me pensar no dia breve. No rigor das horas. Na inutilidade da tristeza. Na alegria destes dias mágicos.

Que são do Alexandre que vê imagens nos poemas do Al Berto, na Rosemary que se encanta e sorri sempre; com a história e com o sol . Na memória de elefante do Gregório. Na Isabel que prefere ser médica a escritora. E no Rosa sem as rosas do Rosa. E no mar de gente que entope a tua Direita de turistas apressados.

– Roubaram-me o outono!
– Inês isso é ótimo! A quem agradeço!

Amanhã muda a hora e eu não quero disso. Não há pior ideia que anoitecer cedo. É como se alguma coisa desistisse sem haver manhã que o possa compensar.

Verdadeiramente o inverno só chega quando o relógio pode mudar de ideias.