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O dia depois de amanhã

Rute Sousa Blog

O mar em outubro é sempre de um Deus desconhecido.

Estou aqui a pensar que está quase, mas ainda falta tudo. Amanhã arrumamos a alma da folia e já podemos começar a ler a biblioteca nova que conquistámos nestes dias. Mas ainda falta amanhã.

Sinto um sentido revolucionário nesta hora, apesar de há já muito tempo me apertar o peito uma contagem decrescente.

d – o — m – I – – n – – – g – – – – o

Como se o tempo não passasse no ritmo do meu passo mas noutro estilo, mais contido, muito descontraído, a pavonear-se à minha volta, a subir a música daquela estrada que trouxe o Rodrigo Leão a Óbidos.

Este sábado foi um dia tão cheio, tão rápido, que nem consegui ver ninguém. Só o Alegre e o Fuks a posarem prémios para a foto do Caetano; o Hatoum que se entristece com o Brasil e, deve ser por causa disso só pensa em “camisetas” das quinas assinadas pelo CR7; a Karol que se mudou de ser quando subiu ao palco, o Agualusa, que saudades meu amigo, olhos transbordantes de Yara.

Não vi nada, só abril, outubro, canadás e carnavais.

d – o — m – I – – n – – – g – – – – o

Um tipo que eu conheço, não pessoalmente nem pelas redes sociais, disse-me há muito tempo que há metafísica bastante em não pensar em nada.

Havias de aqui vir Fernando, ias ver que não era assim.