O tempo é um conceito construído culturalmente, herdado como um relógio parado
que vive no pulso por hábito e por capricho do próprio tempo em si, um conforto para o medo de que o tempo se esgote.
Sempre a pressa, sempre a saudade, quase nunca o agora.
Já chegámos ou quando voltamos?
Falta muito ou já passou?

A mudança era a medida da passagem do tempo, sem esperar, sem prever, sem contar simplesmente acontecia. Nessa convivência suave com a imprevisibilidade das coisas, crescíamos mais um pouco. Hoje protegemo-nos do que não sabemos que vai acontecer criando limites e impossíveis à nossa volta, como se tivéssemos que temer todo e qualquer imprevisto, como se estes não fossem parte obrigatória de qualquer plano.

A arte é um lugar sem confins, parte da vida e do movimento perpétuo das coisas. O objecto de criação transforma pessoas e territórios, produz conhecimento para além do tempo em que acontece, é infinito. Os criadores artísticos vivem para esse contacto com o desconhecido à procura em cada traço, escrito e riscado, do que a mudança traz.

Tudo isto, transposto para o universo da infância, é brincar.
Esta mostra não é para a infância, mas é um início.
A esperança que há na ponta da meada, essa “pequenina luz bruxuleante”.
Nesta 5ª Edição a mostra de ilustração PIM! inclui mais uma vez, um extenso colectivo de obras e de criadores, iniciadores de um movimento de democratização da cultura e da arte, livres para pensar e agir, para envolver e integrar, para propor e galvanizar.

A premissa de sempre é estreitar o contacto entre criadores e participadores (em vez de espectadores) onde cada um, neste encontro com a arte, pode sentir, experimentar e ser o que quiser. Pode inclusivamente e sem filtros, experimentar ser ele próprio. Não há tempo para ser menos que original.

Mafalda Milhões
Curadora FOLIO ILUSTRA